ESG sem mistérios

Caminante, no hay camino, 

Se hace camino al andar.

Antonio Machado (1912)

2021 é o ano do ESG (já falamos sobre o significado dessa sigla aqui no site do Saes Advogados). É difícil caminhar pelas redes sociais sem encontrar referências constantes a essa sigla e a tudo que ela acompanha. Pipocam por aí menções a termos-chave como stakeholders, sustentabilidade, responsabilidade social. 

No meio de todo esse ruído, nem sempre é fácil separar o joio do trigo. Fala-se muito sobre a teoria, mas é difícil encontrar respostas para uma pergunta que deveria ser simples: o que isso significa na prática? Ou, em outras palavras, como uma empresa deve agir hoje para poder dizer que está adequada às práticas ESG

Não existe uma autoridade ou entidade certificadora única que seja capaz de dizer se uma empresa “é” ou “não é” ESG. Não há nem mesmo uma norma reguladora, como um ISO ou algo semelhante. 

Analisando a experiência das grandes corporações que já estão divulgando relatórios de ESG, percebe-se que cada uma delas parte de conceitos e métricas distintas. O Relatório de Sustentabilidade da Suzano, por exemplo, empresa que atua no ramo do papel, dá grande destaque a métricas referentes à emissão de carbono e desmatamento. Já a Natura, do setor de cosméticos, dá destaque às iniciativas referentes à destinação adequada das embalagens e à contratação com foco na diversidade

No setor da construção civil, um bom exemplo é a MRV Engenharia, que entrega relatórios destacando o resultado positivo de imóveis que utilizam energia solar, reaproveitamento de água pluvial e projetos de adequação da infraestrutura urbana.

O que se pode aprender dessa série de exemplos isolados? Alinhar-se aos princípios ESG significa tomar controle da narrativa que sua empresa conta aos consumidores e outros detentores de interesse

Essa narrativa implica falar sobre o passado (de onde veio sua empresa? como a criação e operação da companhia ajudaram, até hoje, a melhorar a comunidade?), sobre o presente (o que a empresa faz hoje para garantir a minoração do impacto ambiental? quais políticas a empresa adota para garantir a inserção de minorias desprivilegiadas no mercado de trabalho?), e sobre o futuro (como a empresa pretende melhorar essas métricas nos próximos anos? quais compromissos serão assumidos hoje?).

No fundo, “ser” ESG significa, mais do que qualquer coisa, conquistar credibilidade, que é um ativo intangível, construído a longo prazo. 

Para isso, é preciso adotar as métricas certas. Não existe uma solução única, one size fits all. Só se constrói uma resposta adequada para sua empresa conversando com profissionais capazes de conhecer com proximidade a sua empresa e construir uma solução adequada para a sua realidade. Hoje, adequar-se às práticas ESG significa construir os trilhos enquanto o trem está andando

À primeira vista, essa conclusão pode parecer preocupante. Mas, bem vistas as coisas, isso não é negativo. O assunto ainda é muito novo e, por isso, quem chegar primeiro vai estabelecer os parâmetros pelos quais as demais empresas serão medidas no futuro. O empreendedor preocupado com o futuro de sua empresa não pode se dar ao luxo de perder essa oportunidade.

Publicado em: 12/07/2021

Por: Pedro Reschke

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