Obras Verdes e os benefícios da sustentabilidade para a Construção Civil

Cada vez mais a sustentabilidade tem caminhado lado a lado com a construção civil. As obras verdes, ou obras sustentáveis, se tornam mais eficientes e, consequentemente, mais econômicas, seja por meio de consumo consciente, diminuição do desperdício ou reaproveitamento de resíduos.

Além dos benefícios ao meio ambiente – que por si só seriam suficientes para justificar o interesse na sustentabilidade – existem diversos benefícios econômicos decorrentes da adoção de práticas sustentáveis no desenvolvimento e manutenção de obras.

         De acordo com a fala de Luiz Henrique Ceotto, diretor de Projetos e Construção da Tishman Speyer, no painel “Gestão Sustentável da Construção Civil”, realizado durante a Conferência Internacional Ethos 2008, a reutilização de água ou a iluminação natural, dentre outras medidas, pode acarretar em um aumento de 15% no custo da construção. Contudo, ao longo de 50 anos, esse prédio gastaria 50% a menos em operações e manutenção¹. Ou seja, apesar de representarem gastos maiores em um primeiro momento, os benefícios econômicos futuros decorrentes da implementação de um projeto de construção sustentável compensam, e muito.

         Por conta do grande impacto que as construções exercem sobre o meio ambiente, a busca por sustentabilidade no setor tem se tornado mais constante, seja em obras residenciais ou comerciais. No entanto, sua implementação vai muito além da simples utilização de materiais “amigáveis” ao meio ambiente.

         Um importante fator que deve ser considerado para a sustentabilidade de uma construção é a eficiência energética. A implementação de fontes limpas de energia, como painéis fotovoltaicos e aquecedores solares, reflete em uma redução dos impactos ambientais bem como na redução dos custos. A gestão da água é outro fator extremamente importante para a sustentabilidade, por meio do consumo consciente e do aproveitamento das águas da chuva.

         Um grande exemplo de construção sustentável aqui no Brasil é o estádio Mineirão em Belo Horizonte, Minas Gerais. Após sua reforma para a copa do mundo de 2014, foi instalada uma usina solar fotovoltaica em suas dependências, capaz de gerar energia equivalente ao consumo de 1,2 mil residências. O estádio também reutiliza e recicla mais de 90% dos resíduos gerados, além de armazenar a água da chuva, que é utilizada para irrigação do campo e descargas dos banheiros.

         Outro estádio brasileiro com estruturas e práticas sustentáveis é a Arena Castelão, em Fortaleza. Devido ao reaproveitamento de estruturas existentes, consumo eficiente de água, descargas a vácuo, coleta de resíduos e outras medidas adotadas, o estádio foi o primeiro da América Latina a receber o certificado LEED (Leadership in Energy and Environmental Desing), que é uma certificação internacional fornecida pela Green Building Council, baseada em alguns parâmetros utilizados para guiar as edificações e garantir a sustentabilidade na construção civil.

         Assim, seja pelas questões ambientais, ou por agregar valor à marca e atrair investidores, a sustentabilidade deixou de ser apenas um diferencial e se tornou uma necessidade. Afinal, as obras verdes alcançam o tripé da sustentabilidade pois levam em consideração as questões ambientais (redução de consumo e de utilização de recursos naturais), sociais (servem de estímulo para a população) e econômicas (trazem ganhos a médio e longo prazo).


1 Fonte: CRECI.PR. Construção sustentável é mais cara, mas traz economia durante operação.

Publicado em: 12/07/2021

Por: Eduardo Saes

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